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Quadrado CentralO TRANSNATURAL é um projecto multidisciplinar que tem como tema o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, estrutura emblemática a nível nacional e internacional, que teve a sua origem na reforma universitária empreendida pelo Marquês de Pombal no século XVIII.
O ano de 2004 ficou marcado pelo início da mostra de cinema experimental no Jardim Botânico. Sob o signo da paisagem tempo/paisagem afecto, delineou-se um conceito de programação transnatural que articulou o discurso cinematográfico com a própria morfologia deste espaço.
As subsequentes edições não só contaram com a participação de novas vertentes artísticas, como tornaram a relação com a paisagem do Jardim mais intrínseca. Com efeito, introduziu-se uma dinâmica de encomenda de trabalhos inéditos realizados no Jardim Botânico. Algumas destas obras foram parte integrante do transnatural, concorrendo para uma substancial coincidência com o seu património cultural e natural.
O itinerário aqui proposto conflui para uma narrativa integradora da sua própria temporalidade.

 

Carta ao Dr. Domingos Vandelli

Caro Sr. Vandelli:

Há muito que ando para escrever-lhe, mas não tem havido ocasião para tal. Quebrado de meus cuidados neste dia, tomo a liberdade de lhe escrever, nunca tendo sido apresentado a V. Ex.ia.
Já sei que nasceu em Pádua, em 1736, e seu Pai era o Dr. Vandelli médico. Também sei que estudou na universidade da sua terra natal. Findo o seu curso, o venerado Marquês de Angeja, reconstruindo a sua quinta no Lumiar, mandou-o vir para organizar o seu jardim e parque, pôr em ordem o seu gabinete de curiosidades. O Senhor veio e deu-se bem com os ares! No Portugal de então notaram que o senhor não era estúpido, apesar de ter um diploma universitário, nomearam-no para dar aulas no Real Colégio dos Nobres.
Por Lisboa se manteve até 1773, ano em que o 1º Ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, pediu-lhe que viesse a Coimbra reformar a universidade.

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Carta do Dr. Vandelli a Eduardo Mamede

Illustríssimo e Excelentíssimo
Senhor Eduardo Proença-Mamede

Sei que V. Senhoria me dedicou algum do seu tempo com uma exposição que aí organizaram à minha pessoa. Venho agradecer-lhe penhoradamente esse gesto do qual não sou digno.
Em vida fiz-me odiar por muitos. Todos os professores da universidade que reprovei em 1773 tinham família e, se bem que muitos tenham morrido até 1777, o certo é que o meu Protector morreu com o Rei D. José I e eu fiquei desvalido. Filhos, sobrinhos, irmãos dos que reprovei caíram sobre mim como cães e, se não morri em algumas ciladas, foi porque também tinha amigos nesse Portugal. Reconduzido D. Miguel da Anunciação à Cátedra Episcopal, este uniu‑se aos meus inimigos e a idade já não permitia que tivesse vontade própria.
A Rainha D. Maria estendeu sobre mim o seu manto protector, mas estava longe e para mais longe foi em

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